Publicado em 20/03/2019 às 14h20 | |

Fenômeno Momo ressurge – E novamente é tudo mentira

Por Alan Dourado 

 

Com um rosto de traços exagerados e extremamente perturbadores, a boneca Momo causou pânico em 2018 ao ser associada a casos de suicídio entre crianças e adolescentes em todo o mundo. Histórias diferentes contavam sobre ligações telefônicas propondo desafios que incluíam automutilações e suicídios, ao estilo de outro fenômeno também bizarro, o Baleia Azul. Com uma enorme diferença: O jogo Baleia Azul levou de fato a cerca de uma centena de suicídios em todo o mundo, enquanto a tal boneca Momo não tem um único caso registrado de suicídio associado ao meme.

A boneca, criada pelo artista japonês Keisuke Aiso, de 46 anos foi usada na internet para criação de histórias fantasiosas e disseminação de pânico através de redes sociais como Facebook e Whatsapp. O autor, em entrevista ao The Sun, jornal britânico, afirmou que jogou a boneca fora.

Em março de 2019, a ameaçadora boneca ressurge, novamente pelo Whatsapp e pelo Facebook, associada a um vídeo supostamente infantil e o assunto ganhou dimensão quando a Revista Crescer, da editora Globo, fez matéria de grande destaque em seu periódico online, dizendo que “Boneca Momo aparece em vídeos de slime no Youtube Kids e ensina crianças a se suicidarem”. Amparada pela credibilidade da revista, a notícia ganhou rápida disseminação em grupos – novamente – de Whatsapp e Facebook.

De fato há um vídeo de apelo infantil onde após um grosseiro corte, a boneca Momo aparece num tom ameaçador, associada a ordens de suicídio dirigidas a crianças. No entanto, o vídeo foi veiculado no Facebook e não no Youtube. Muito menos no Youtube Kids, plataforma que veicula somente vídeos para crianças.

O Youtube Kids é uma das plataformas mais seguras para crianças terem acesso a conteúdo voltado à idade delas e os técnicos da plataforma alertam que baniram todo conteúdo contendo a boneca. Mesmo o Youtube normal já desmonetiza (retira receita financeira) todos os vídeos com a boneca ou que tenham conteúdos relacionados a práticas de automutilação, suicídio, crimes, ódio, mentiras e discriminação.

No entanto, o Whatsapp permite a circulação de todo tipo de notícia, boato, meme, vídeos, imagens, todos sem filtro, que, compartilhados em grupos, permite que um assunto que cause comoção como o que ocorreu na escola de Suzano-SP, tenha imagens de corpos das crianças mortas no massacre espalhados em celulares de crianças e adultos em qualquer lugar do mundo.

O boato da Momo foi produzido para o Facebook e foi disseminado pelo Whatsapp. Apesar de ser necessário ter atenção ao que as crianças assistem no Youtube, o que espalhamos sem checar pelo Whatsapp é o que mais ganha alcance e rapidamente. Quem não se lembra da enxurrada de notícias falsas veiculadas na campanha presidencial de 2018?

Enfim, a Momo é uma escultura japonesa que não existe mais, não liga para adolescentes induzindo ao suicídio, não está no Youtube Kids ao alcance das crianças, mas é preciso fazer filtro quanto ao que nós decidimos postar no Whatsapp e no Facebook, que infelizmente, crianças também usam. 

Obrigado ao youtuber Felipe Neto por fazer um vídeo bastante esclarecedor sobre o tema.

 

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