18/12/2018 às 08h16 |

Cinza

 

O cenário político de Camaçari apresenta um estágio de imprevisibilidade. A oposição sente a ausência de sua principal liderança que apenas conta com a rede social para se manter vivo. Mas, a população entende que esse esforço é improdutivo uma vez que até então o Partido dos Trabalhadores perdeu os seus melhores pensadores/mobilizadores, descontente com a tutelar que impede o surgimento de novos nomes em condições para o enfrentamento diário e em 2020. Vale lembrar que durante o último pleito municipal (2015) a ausência de quadros levou o candidato Luiz Caetano a uma derrota estonteante.


Alguns vão justificar que no pleito majoritário de 2018 o quadro se reverteu. Verdade. Ocorre que a votação de Caetano, no município não refletiu a posição de um gestor que deixou a prefeitura com aproximadamente 65% de aceitação popular e fez o sucessor que nunca tinha sido testado politicamente. Na realidade pesou para Caetano, em 2015, a relação tumultuada com Ademar Delgado e as desgastantes denúncias de má utilização dos recursos públicos decorrendo inúmeras citações judiciais.


No pleito de 2018 o favoritismo eleitoral de Rui Costa aliado ao prestigio de Wagner e a força de Fernando Haddad ao ser recomendado por Lula, permitiu à oposição local uma disputa sem concorrente. O Candidato apoiado pelo DEM, Geraldo Alckmin não alcançava dois dígitos assim como o pleiteante ao executivo estadual. Os vereadores da base governistas pulverizaram o apoio visualizando o futuro, os seguidores e simpatizantes estavam descontentes. Foi um resultado antecipado.


Próximo para iniciar o terceiro ano do mandato e visando a reeleição, o prefeito Antônio Elinaldo tenta arrumar a casa atropelando a clássica cartilha política. Mexe na estrutura criando novos cargos para atender os descontentes, acena com a possibilidade da distribuição da Cesta de Natal dos Servidores, retoma o controle da casa legislativa com a eleição de um dos seus pares mais afinado com seu governo, melhora a qualidade da comunicação.


Só isso basta? Acredito que não.


A remuneração dos servidores continua defasada e sem perspectiva de ajustamento, a política econômica do presidente eleito Jair Bolsonaro não é clara em relação ao desenvolvimento. As reformas que se considera necessárias para acelerar a economia dependem da Câmara e do Senado onde não se sabe como se comportará, os parlamentares, diante da discriminação dos partidos. Várias obras estão sendo realizadas, principalmente pavimentação de ruas, no entanto a queixa da população é em relação ao desemprego. A política de proteção social não se posiciona, apenas a área cultural mostra algum folego, com uma aceleração mais moderada que do início da gestão.


Assim é que já se observa grupos se reunindo para analisar a conjuntura e projetar ocupação de espaço nesse estágio de vacância de liderança a exemplo do Partido Progressista, do PSD e do PRTB. Provavelmente outras agremiações deverão se manifestar. O PCdoB pensa na oportunidade de se descolar do PT, O PSOL busca entendimento com o PSTU. E por ai vai. O que se espera é que a população passe a determinar o que considera melhor para o município de Camaçari. Independente da tonalidade.


Adelmo Borges

 

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