09/12/2018 às 16h28 |

Ciclo do poder

 

Nos anos 90, com a ascensão sindicalista ativista dos direitos humanos Lech Walesa ao governo da Polônia, o impacto no leste europeu motivou a luta de partidos de centro-esquerda no mundo, inibindo os poderes de direita estabelecido na Alemanha, França. Itália, Portugal, Espanha, Inglaterra e, também na América do Sul. A Rússia, China se mantém no cenário político mundial rivalizando com o império norte americano. Na América do sul e no Caribe foram criadas forças revolucionárias para combater os sentimentos de extrema-direita.

No Brasil para reestabelecer o processo democrático restringido em 1964, ao depor o presidente João Goulart e com a ascensão dos militares ao governo central lutas intensas e violentas foram travadas incluindo abuso de poder, insegurança jurídica, inúmeras baixas os poderes constituídos se viram obrigados a ceder alguns pontos reivindicados pela população a exemplo do estado de direitos, liberdade sindical, autonomia partidária e eleições diretas.

Além da ARENA (partido constituído pelo governo militar) e o MDB surge o PSDB e mais tarde revitalizado o PTB. Os militantes de esquerda, incluindo os radicais que militavam no MDB se agruparam, também no PSDB e PTB e posteriormente surge o PT.

O Partido dos trabalhadores, governou o Brasil por 13 anos quando foi interrompido por uma manobra jurídico/institucional e muitos dos seus membros dirigentes e parlamentares passaram por julgamento condenatório tipificado por crimes de peculato, formação de quadrilha e enriquecimento ilícito em processo denominado de “Mensalão”. Os procedimentos se aprofundaram chegando a utilização da Petrobrás em favorecimento de contratos para execução de serviços. A denominada “Operação Lava Jato” envolveu procedimentos investigatório que atingiu aproximadamente quarenta por cento dos partidos e trinta por cento dos políticos brasileiros. Com o indiciamento do Presidente Temer assim como o indiciamento, julgamento e condenação em primeira e segunda instancia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o país passou a ser administrado pelas decisões do Supremo Tribunal Federal.

A partir de janeiro de 2019, por um mandato de quatro anos, o Brasil será comandado pelo presidente-eleito Jair Bolsonaro que representa a extrema direita, adepto do estado mínimo com uma composição que acomoda seis generais da reserva do exército. É um novo ciclo de poder. Bolsonaro foi eleito com o apoio de grandes empresários, que apoiaram a intervenção militar de 1964 e reclamam da falta de investimentos governamentais que impedem o desenvolvimento de seus negócios; pela classe média desempregada e sem apoio para empreender e por moradores da periferia de grandes núcleos urbanos refém da milícia civil e do crime organizado. Bolsonaro, durante a campanha prometeu acabar com a corrupção governamental, com a barganha partidária, com o empreguismo reduzindo a máquina administrativa, intervir fortemente contra o crime organizado e o tráfico de drogas.

A democracia se alimenta da independência entre os poderes (executivo, legislativo e judiciário) de maneira equilibrada. Nenhum dos poderes deve preponderar sobre o outro. Em um governo de coalisão os entendimentos e as negociações são parte do processo. O PT e o PSDB (derrotados eleitoralmente) constituíram uma bancada de parlamentares significativa assim é esperar para ver. Até então não se conhece o programa de governo a ser implantado, tão pouco as propostas para o desenvolvimento econômico e social.

Adelmo Borges.

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