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30/12 18h57 2017 Você está aqui: Home / Politica Domingos Silva Imprimir postagem

Comemore, pois a guerra continua em 2018

Você está aqui: Home / Politica - com Domingos Silva

É isso aí, guerreiro. O gongo bateu para mais um intervalo. Aproveita pra comemorar que você ainda está de pé, ou quase, e que ainda lhe restam energias pra continuar na luta.  Esse ano não foi de brincadeira. Como não foram os anteriores. Estamos sob fogo cerrado e a esmagadora maioria de nós está tomando como realidade as sombras que se projetam na parede da caverna. O remédio – ou veneno - é tão potente que nos deixa a todos paralisados e nem percebemos a mordida constante do inimigo mas gastamos nossas forças dando vivas e fazendo carinho nele quando nos sopra. Já sei. Sua mente fértil e criativa acaba de fazer uma comparação. Não posso deixar de concordar com você.

 

Pelo que me lembre da batalha dos últimos anos, a mesma foi planejada para que não fosse necessário disparar um tiro de armamento físico. Mas quem precisa atirar em um bando de bêbados e drogados cambaleantes? A arma química funcionou tão bem quanto as armas psicológica e biológica. Em todo caso, a frota continua a postos, vai que o plano A falha e o gigante se acorda? Improvável? Melhor prevenir.

 

Apesar de todo fogo amigo, vamos avançando, apesar das baixas e da devastação. Física, espiritual, moral, legal etc. O inimigo ataca em todas as frentes, em todos os campos. O fogo amigo é apenas amigo enquanto os mercenários patrícios se alistam para empunhar as armas do inimigo contra seu próprio povo por uns dólares trocados.

 

Estamos no século XXI e nós nem imaginamos a variedade de armas e as maneiras de se travar uma guerra. Mas a pior delas é fazer acreditar que o inimigo é o outro. Aquilo que louvamos como avanço da tecnologia e facilitador de nossas vidas foi inventado como instrumento de guerra. Já foi e continua sendo usado contra nós. Para nós, meros espectadores, ficção é e sempre será ficção. A verdade é que o que já foi ficção hoje é realidade. A ficção é realidade. Enquanto isso passamos os dias brincando de caçar monstrinhos.

 

Primeiro ataca-se a moral do que nos representa. E como política e economia estão profundamente ligadas, explodindo os fundamentos de uma atinge-se devastadoramente a outra. Basta acender o estopim do que já vinha sendo minuciosamente montado ano após ano. Com uma sabotagenzinha aqui outra ali. Enquanto corremos no meio do fogo provocado pela bomba incendiária que queima em todo o país, caímos nas escaramuças colocadas no caminho e somos atingidos pela metralhadora giratória. Aliás, o Estado se alia ao capital para nos roubar na primeira esquina. O inimigo público número um não pode deixar de exercer sua vocação de reprimir e arrecadar.

 

Mas já esquecemos ou assimilamos a derrota da primeira rasteira e já estamos caminhando pra outra. Achamos tão normal a devastação causada pelo rompimento da barragem quanto achamos natural que o sertanejo tenha de se virar com a seca. Escapamos do tiro da dengue, e do surto de chicungunya e da microencefalia, dais quais o noticiário esqueceu e ninguém fala mais, a não ser os que foram seria e irremediavelmente atingidos. Armas biológicas? Ataques cibernéticos? Espionagem? Roubo de informações? Nada. Isso não existe. Você está inventando coisas, dirá o leitor. Coisa de cinema. Nossos direitos trabalhistas e constitucionais vão sendo flagrantemente anulados e nós, teimosamente, boquiabertos com as cores da cortina de fumaça. Damos mais importância à fumaça que ao fogo.

 

Em 2018 assista mais aos filmes de Hollywood. Eu disse assista. Preste atenção. Não apenas veja e torça pelo mocinho salvador do mundo, sentado no sofá e comendo pipocas como uma eguinha pocotó. Claro que nem todos os que comem pipoca são eguinhas pocotó – poucos escapam – mas toda eguinha pocotó adora pipoca. Tente encontrar uma relação entre o filme e a realidade. O que será que ele quer te dizer ou te mostrar? Ouça os diálogos. As falas. Questione-as. De todo e qualquer filme. Mensagens preciosíssimas passam batidas enquanto apenas assimilamos passivamente a violência das cenas. Somos o que comemos. Física e mentalmente. Se comemos pipoca com violência, em que tipo de monstros estamos nos tornando? Aliás, a combinação devia se chamar pipocola.

 

Lembre-se da lição de Bertold Brecht, aprenda tudo o que puder onde você estiver e seja o que quer que esteja fazendo. Aprenda tudo, pois você precisa estar no comando. No comando da sua vida, no comando das suas decisões, onde quer que estejam sendo tomadas ou por quem quer que estejam sendo tomadas. A decisão é sua. É nossa e cada um de nós é responsável por ela.

 

Precisamos voltar a valorizar mais o que é nosso. Nossas cores, nossa bandeira, nosso país, nossas matas, nossos recursos minerais, nossa água, nossos velhos, nossos jovens, nossa gente de qualquer cor. Talvez não com a utilidade que quiseram e fizeram há algum tempo. Mas se nós não nos unirmos como Pátria, seremos párias.

 

Me lembro agora de uma situação irônica que está ocorrendo pelos caminhos por onde andei nestes últimos dias. O branco fosco dos quarteis está sendo substituído por listras azul, vermelha e branca. Lembra alguma coisa? Não é estranho? Notei isto em pelo menos três quartéis. O muro, que era verde, está agora vermelho e branco. Por outro lado, ou do mesmo lado, as lojas de uma antiga rede de supermercados que tinham marca vermelha e branca, foram pintadas de verde e amarelo pelo novo proprietário estrangeiro. A refinaria da Petrobras no município de Ipojuca, em Pernambuco, pode causar curiosidade no observador mais atento. Os “out-doors” de identificação estão totalmente descascados. As marcas da empresa foram totalmente removidas. Pelo tempo ou pelo Trump? Quem não conhece uma refinaria não saberá que é uma ao avistá-la. Os quatro mastros metálicos nunca mais sentiram o tremular das bandeiras. Nem no último dia da bandeira nem nas últimas semanas da Pátria. Intencional? Esquecimento?

 

Não deixemos, em 2018 nem nunca, que arranquem nossa identidade. Arrancar a identidade de um povo e espalhar confusão em suas fileiras é uma das primeiras técnicas de guerra. Declarada ou não. Mas o mundo sempre viveu uma guerra mundial não declarada. Nossa diversidade cultural, nossa disposição em aprender e ajudar, nossa cordialidade, põem ser usadas pra destruir nossa identidade. Esse é um processo que avança como câncer sub-reptício e nós só perceberemos quando for tarde. Que não aconteça jamais.

 

Em 2018 vamos aprender a pensar mais positivo. Pensar mais em coisas boas. Mais em vitórias que derrotas. Como disse um colega, ontem, que tenhamos mais picanha e menos picuinhas. Lembremos e estudemos sobre o inconsciente coletivo de Jung. Ele existe. E é alimentado pelos pensamentos individuais ou coletivos. Um país é o que o seu povo pensa de si mesmo. É o que o povo faz de si mesmo. Lembremos de que um mais um é sempre mais que dois, principalmente quando se trata da energia do pensamento. Não permitamos que nossa burrice faça jorrar sangue, suor e lágrimas. Suor e lágrimas, talvez, mas de trabalho e alegria.

2018 será o que nós quisermos que seja. Sejamos mais BRASIL.

 

Colunista Domingos Silva 


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