Curta a nossa página
03/12 22h28 2017 Você está aqui: Home / Politica Domingos Silva Imprimir postagem

A grama na frente da casa do vizinho pode ser mais verde. Mas e o quintal?

Você está aqui: Home / Politica - com Domingos Silva

Esta semana, exercitando a minha rebeldia contra o pensamento único, contra o canal único, me vi "zappeando" novamente. Alias, pra mim isto já se tornou freqüente, confesso logo. Não aceito que a gente compre um plano de televisão por assinatura, com dezenas de canais e fique agarrado somente em um. Verdade que uma boa parte é de futebol, nada que se aproveite. É preciso ter paciência pra encontrar alguma coisa que preste em determinados horários. Sem contar as repetições de filmes e seriados. Saco.

Então me detive em algo que pra nós não é novidade. Talvez a novidade seja que não é novidade "apenas" para nós. crianças pobres, sem escola, sem assistência do estado, filhas de pais desempregados, reunidas em uma escola de iniciativa da comunidade. Escola esta que, à noite, alfabetiza e congrega os pais. Aparece um projeto estrangeiro, com capital estrangeiro, para ajudar a comunidade. Nesse caso foi um milionário australiano que se sensibilizou pela situação e quis doar dinheiro para a compra de uma propriedade onde pudesse se instalar a escola. Outra "novidade" é que ele necessitou da companhia de pessoas da comunidade e da autorização de algumas " lideranças" para poder circular na comunidade. E não poderia filmar.

Ah, vocês têm certeza de que já sabem onde se deu o caso, não é? Pois se estão pensando ou imaginando que foi numa das famosas favelas de uma de nossas cidades maravilhosas, erraram. U- huuuu!!! Erraram feio. Foi na badalada Europa. Aliás, numa parte nao badalada da Europa. Aquela da qual nós só ouvimos falar quando se instala uma guerra " étnica" . Cidade de Sófia, ou Sofia, como narrava o narrador. Capital da Bulgária, no leste europeu. Tá bom. Acredite se quiser. Ninguém é obrigado a acreditar no que não quer. No seu próximo passeio à Europa, deixe o leitor de ir aonde todo mundo vai, na parte badalada e bonitinha, e và aonde ninguém vai, se tiver coragem. Já ouvi alguns brasileiros falarem das péssimas condições de higiene e saneamento da Índia e da África. Nunca da Iluminada, organizada e culta Europa. Aqui temos um nordeste, lá, eles têm um leste.

Câmbio, agora, de assunto, mas permaneço na mesma problemática ( descubra qual é, antes do término do texto, se for capaz, sagaz e arguto leitor) . A situação agora é á seguinte: um trem a uma velocidade de cento e sessenta quilômetros por hora, descola dos trilhos em uma curva mais fechada do que a velocidade permite e se choca contra um edifício, matando mais de cem passageiros e ferindo outros tantos. A investigação descobriu que o trem estava veloz porque havia ultrapassado a plataforma da estação anterior em oito metros e tende de dar marcha a ré, atrasando a viagem em um minuto e meio, tempo suficiente para que os passageiros perdessem suas conexões para a cidade de Osaka.

Droga! Falei. Não era pra dizer ainda que era no desenvolvido e industrializado Japão. Prosseguindo com investigação, descobriu-se que a empresa de trens primava pela pontualidade e considerava esse atraso uma falta grave que deveria ser reportada imediatamente ao supervisor.  Para não atrasar o horário o condutor imprimiu velocidade maior que a normal. Ao perceber a curva e o risco de tombamento, ele acionou os freios normais em vez de acionar os freios de emergência. Todo acionamento do freio de emergência deveria ser reportado imediatamente ao supervisor e não fazê-lo é uma falta grave e faltas graves submetiam o infrator a um período de reclusão de três meses em que sofria todo tipo de pressão psicológica, assédio e agressões verbais.

Aquele jóvem de vinte e três anos, que morreu junto com mais de uma centena de seus passageiros, já tinha passado por um inferno desse tipo após ter parado o trem a um metro além da plataforma em sua segunda semana de trabalho como condutor.

Aonde eu quero chegar? Você ainda pergunta aonde eu quero chegar? Não acredito que ainda não tenha percebido. Não percebe o monstro subjacente por detrás dessa engrenagem, e que a controla, empobrecendo a uns e enlouquecendo a outros? Transformando a todos em suco?

Hoje fui levar os meninos pra fazer prova de concurso. Por algum motivo, alguns familiares aguardam o término da prova nas imediações. Meu motivo foi a distância. As pessoas vão se entrosando e surgem algumas conversas interessantes. Duas pessoas católicas "praticantes", sendo uma delas estudante de teologia católica, começaram a comparar suas práticas com as de outras denominações.

Entre posições extremamente radicais de um lado e assentimentos com a cabeça, feitos pela outra parte, acabaram concordando em que as piores pragas da história da humanidade são o comunismo, o protestantismo e o islamismo. Mas isso é outra história, dirão vocês. A questão que ora me ocorre é: até quando vamos permitir que o Estado e a Igreja e seus instrumentos nos doutrinem e determinem o que pensamos? Repito aqui a pergunta do nosso poeta: será que nunca faremos senão confirmar a incompetência da América Católica, que sempre precisará de ridículos tiranos?

 

Doingos Silva


Comentários

Atenção! Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião desta página, se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicações relacionadas