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30/07 00h57 2018 Você está aqui: Home / Literatura Jussara Pires Imprimir postagem

Osso Duro de Roer

O amor é cego. E eu comprovei isso bem de perto.

Você está aqui: Home / Literatura - com Jussara Pires

Há algum tempo, meu fiel companheiro partiu, atrás de uma aventura. E, apesar de implorar para ele ficar, não quis me ouvir e nem me enxergar. Pois, estava cego... Cego por amar.

Não é preciso nem dizer o quanto me senti frustrada, traída e rejeitada. Principalmente depois de tudo que vivemos, da nossa história e da nossa estrada. Contudo, seu amor por mim chegou ao fim.

O meu fiel companheiro, já não era tão fiel assim. Mas eu superei e juntei os meus pedaços.

Porém, depois de passado um tempo ele apareceu: com o rabo entre as pernas, acabrunhado e pedindo para voltar. E é lógico que eu não quis aceitar; a ferida ainda estava aberta. Contudo, como ainda o amava, deixei-o ficar. Mas não demorou e ele aprontou de novo; dessa vez, desapareceu sem deixar vestígio. 

Procurei-o por todos os lugares: nas esquinas, nas praças e nos becos. E nada! Dei parte na polícia, distribui panfletos; mas ninguém o viu. E já tinha perdido a esperança, quando ele reapareceu; com a cara mais deslavada. 

Isso foi a gota d’água! 

É claro que fiquei aborrecida, e quem não ficaria? Pois errar uma vez a gente até entende, mas errar de novo! Ah! Já tinha decidido: não queria ele mais, nem pintado de ouro.

Mas quando o vi à porta, cabisbaixo e tristonho, fiquei com os meus olhos rasos d’água. Lembrei-me de um tempo em que eu estava assim: triste, sozinha e desamparada; foi quando nos conhecemos. E foi ele quem cuidou de mim; trouxe-me de volta a alegria, o amor; voltei a sorrir. E foi assim, que ele entrou na minha vida, no meu coração e na minha casa.

Eu sabia que iria me arrepender, porém, resolvi deixar ele voltar. Mas tinha plena certeza de que, se aparecesse outra “aventura”, ele iria sem pestanejar. Mesmo assim, desfiz minha cara amarrada e chamei-o para entrar. Ele pulou e se jogou em meus braços, latindo e balançando o rabo para festejar.

Tenho que admitir, já não sei mais o que faço. Mas dele, tenho certeza, jamais me desfaço. 

Jussara Pires

  


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