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20/05 06h48 2018 Você está aqui: Home / Cidadania Jaílce Andrade Imprimir postagem

Sentimento de renovação política e as eleições de 2018.

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Ato I: A esperança


Atualmente vivemos um momento de crise econômica, política, institucional. Ainda assim, o povo brasileiro não deixa de cultivar esperança e acreditar que mudanças ocorrerão e que estas perpassam pela renovação política, proporcionada pelas próximas eleições.
De acordo com a revista Exame, 7 em cada 10 brasileiros esperam uma mudança política em 2018 e estas expectativas têm movimentado os bastidores da política. A criação de novos partidos, a mudança de nome, siglas ou legendas, a busca de novos quadros que se encaixem neste novo cenário, são exemplos deste movimento.


 
 (Raphaela Sereno/Site EXAME https://goo.gl/Xsy4Sh )


Ato II: A realidade 


Mas será que estas mudanças de fato irão ocorrer? Os brasileiros estão mesmo propensos a mudar? E o sistema político estabelecido favorece os novos candidatos e uma renovação de quadros?


Vamos tentar analisar e responder estes questionamentos compreendendo as engrenagens que movem o contexto político e, por conseqüência, o resultado eleitoral. Uma destas engrenagens chama-se financiamento de campanha. Analisando por este aspecto, observamos que as mudanças recentes e a criação do chamado fundo partidário só favorecem as siglas maiores e seus representantes já instalados nas diversas esferas de poder. Portanto, os novos partidos e novos candidatos, sobre essa perspectiva, saem em grande desvantagem nessa disputa. Segundo o mestre em sociologia da UFRJ e também professor, Wagner Gomes de Souza, “na nova legislação eleitoral do financiamento público das campanhas eleitorais, a chave do cofre está nas mãos das velhas lideranças políticas” e isso é um fato. 


Outra engrenagem, também muito importante e que depende intimamente do financiamento é a propaganda eleitoral, principalmente aquela que é vinculada nos meios de comunicação de massa (Rádio e TV). Aqui também os grandes partidos e com mais representações abocanham maior tempo nos horários gratuitos destinados a divulgação das candidaturas, além disso, contando com mais estrutura e dinheiro disponíveis, contratam as melhores agências, além de profissionais da área de publicidade e comunicação, e dominam as redes sociais com robôs e “fakes”; O resultado é de se esperar: maior desvantagem para os novos que não têm recursos, não são conhecidos e nem terão espaço e tempo para divulgar suas plataformas e propostas. 
Além destas desvantagens explícitas que o próprio sistema político institui, assistimos pacificamente a prática de crime eleitoral ao observarmos os grandes partidos e seus candidatos já instalados e impregnados nas estruturas do poder, usarem a seu favor os quadros de assessoria e cargos públicos formando um verdadeiro exército de cabos eleitorais; uma prática nefasta que vem sendo denunciada e combatida pelo Ministério público e pela Justiça Eleitoral, que, no entanto, ainda é uma realidade que desequilibra radicalmente a balança da disputa eleitoral e dificulta (e muito) a ascensão dos novos quadros nestes espaços. 
Ato III- A perpetuação da Velha política
E o que falar da disputa dos novos com os  chamados “falsos novos” que representam seus feudos familiares e/ou oligarquias políticas? 
Segundo o jornalista Eduardo Oinegue, em matéria publicada na Folha de São Paulo ( https://goo.gl/kJrB6c ), “é mais fácil um camelo, aliás, toda uma cáfila passar pelo buraco de uma agulha do que um candidato novo entrar no Congresso Nacional.” Em uma análise dos números das últimas eleições, Eduardo faz um retrato do atual congresso e derruba o mito da renovação, pois demonstra claramente a perpetuação dos mesmos e dos “falsos novos”, através de seus feudos familiares e das oligarquias políticas. 


Ato IV (Fim)- Restou o sonho


E aí, o que fazer com a esperança de renovação política presente e latente no inconsciente coletivo e no desejo do povo brasileiro? Certamente os marqueteiros políticos farão uso deste sentimento para favorecer seus clientes candidatos e usarão todos os recursos de marketing para vender o famoso “gato por lebre”.  Cabe a cada eleitor ficar atento e consciente do seu papel e promover mudanças e renovação a partir do seu ato de votar. Assim, talvez, as próximas gerações, nossos netos, bisnetos, tataranetos (e por aí em diante) um dia poderão vivenciar de fato esta renovação, pois, diante deste cenário, esse sentimento é, infelizmente, apenas um sonho distante e ainda inacessível.

Jailce Andrade 


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