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14/05 08h28 2018 Você está aqui: Home / Entendendo Saúde Dr. Luiz Duplat Imprimir postagem

História do Senhor Tinoco e seu Check-up

(Baseada em um texto da internet de autoria anônima)

Você está aqui: Home / Entendendo Saúde - com Dr. Luiz Duplat

Seu Tinoco, morador de uma cidadezinha do interior da Bahia, gozava da sua aposentadoria, depois de muitos anos de trabalho em São Paulo. Agora vivia a tranquilidade da terra em que nasceu, em companhia de sua esposa, D. Marocas e dos seus amigos. Jogava dominó ou cartas todos os dias, e às vezes, tomava uma dose de pinga fabricada na própria localidade que vivia. Aos sábados, ia ao baile do clube da cidade, e aos domingos, sempre visitava a igreja, e em seguida fazia sua feira semanal, na pracinha, onde encontrava os amigos e comprava os gêneros alimentícios produzidos por eles, que iria consumir na semana. Um certo dia, sua esposa, D. Marocas, a pedido de sua filha, que mora na cidade de Camaçari, cidade rica próxima da capital do estado, disse: - Tinoco, você vai fazer 70 anos, está na hora de fazer uns exames, um check-up, com o médico.

- Para quê? Estou me sentindo muito bem!
- Porque a prevenção deve ser feita agora, quando você ainda se sente jovem, disse Dona Marocas. E nossa filha disse que era para irmos para Camaçari, fazer os exames lá.
Chegando em Camaçari, Sr. Tinoco foi levado, no mesmo dia, por sua filha, a uma UPA, para ele ser visto pelo médico, que, sabiamente, sem pestanejar, para não perder tempo, solicitou exames e testes de todos os tipos. A filha saiu bastante satisfeita com o atendimento realizado pelo médico da UPA.
Para fazer os exames, Sr. Tinoco, teve que fazer o Cartão do SUS de Camaçari, pois o seu era do interior. Mas, fez o Cartão SUS, sem muita dificuldade no Posto de Saúde do bairro, entretanto os exames pedidos pelo médico da UPA foram marcados com certa dificuldade.


Três semanas mais tarde, já com muita saudade dos amigos do interior, ele recebeu os exames e mostrou ao médico do postinho do bairro que sua filha morava, que lhe disse: que acho que os resultados estão muito bons, mas tem algumas coisas que podem melhorar. Então receitou: Sinvastatina para o colesterol, Losartana para o coração e hipertensão, Metformina para evitar diabetes. Polivitaminas para aumentar as defesas, e Loratadina para a alergia, que Sr. Tinoco pegou depois de uma semana em Camaçari. Como eram muitos medicamentos, tinha que proteger o estômago, então ele indicou Omeprazol.


Alguns dos medicamentos eram de marca, portanto não tinha no Posto e Sr. Tinoco foi à farmácia e gastou boa parte da sua aposentadoria em várias caixas requintadas de cores sortidas. Nessa altura, como ele não conseguia se lembrar se os comprimidos verdes para a alergia deviam ser tomados antes ou depois das cápsulas para o estômago e se devia tomar as amarelas para o coração antes ou depois das refeições, voltou ao médico. Este lhe deu uma caixinha com
várias divisões, mas achou que ele estava tenso e contrariado, então receitou fluxetina para a ansiedade.


Naquela tarde, quando ele entrou na farmácia com as receitas, foi recebido com deferência pelos funcionários, que lhe ofereceram o cartão da farmácia de “Cliente Preferencial”, além de um termômetro e uma caneta com o logotipo da farmácia. Sr. Tinoco, em vez de melhorar, foi piorando da saúde e da saudade da sua casa e amigos. Ele tinha todos os remédios num armário da cozinha e já não saia mais de casa, porque passava praticamente todo o dia a tomar as pílulas. Dias depois, Sr. Tinoco, deu azar e pegou um resfriado. Sua esposa, como de costume, o fez ir para a cama, mas, desta vez, além do chá com mel, também o levou ao médico, que receitou remédio para gripe, além do antibiótico amoxicilina e atenolol para a taquicardia que ele apresentava. Passou também fluconazol e zovirax, pois também estava com herpes.


Para piorar a situação, Seu Tinoco começou a ler as bulas de todos os medicamentos que tomava, e ele ficou sabendo todas as contraindicações, advertências, precauções, reações adversas e efeitos colaterais. Leu coisas terríveis. Não só poderia morrer, mas poderia ter: arritmias cardíacas, sangramentos, náuseas, hipertensão, insuficiência renal, paralisia, alterações do estado mental e um monte de coisas terríveis.
Com medo de morrer, voltou ao médico, que lhe disse para não se preocupar com essas coisas, porque os laboratórios só colocavam para se isentar de culpa.
- Calma, seu Tinoco, não fique aflito, disse o médico, enquanto prescrevia uma nova receita com um antidepressivo Rivotril. E como estava com dor nas articulações deu Diclofenaco.
Nessa altura, sempre que Seu Tinoco recebia a aposentadoria, ia direto para a farmácia, onde já tinha sido eleito cliente VIP.
Chegou um momento em que, o pobre do Sr. Tinoco não tinha horas suficientes para tomar todas as pílulas, portanto, já não dormia, apesar das cápsulas para a insônia que haviam sido prescritas. Ficou tão ruim que um dia, conforme já advertido nas bulas dos remédios, morreu, longe de tudo: amigos, clube, igreja e feira da sua cidadezinha.
Agora, sua esposa e filha, dizem que felizmente mandou Sr. Tinoco para o médico bem na hora, porque se não, com certeza, ele teria morrido antes. Esta história é dedicada a todas as pessoas que adoram terceirizar a responsabilidade da sua saúde, que é um bem único e intransferível.


Qualquer semelhança com fatos reais (não) será “pura coincidência”.

 

Dr Luiz Duplat Médico

 

 

 

 

 

 

Dr Luiz Duplat Médico

 


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